Envelhe-Ser

Vi essa semana o filme ‘A incrível história de Adaline’. Não sou comentadora de fimes. Não tenho nem conhecimento nem aptidão para isso, portanto terão que assistir para tirar as suas próprias conclusões. Quero tão somente partilhar as minhas reflexões ao longo do filme.

A vida não se traduz somente em anos que transcorrem. Envelhecer não é somente a soma de cabelos brancos, dores nas articulações e enrugamento da pele.

Adaline não envelhecia. Com aparência de uma jovem de 29 anos, acumulava uma vivência centenária. Num século desesperado por encontrar a fonte da eterna juventude, esta é uma ficcão no mínimo intrigante. Intrigante por que Adaline não era feliz por ser eternamente jovem. Olhava-se no espelho procurando as linhas de expressão que hoje querem ser amenizadas a todo custo por cremes anti rugas e tratamentos faciais, esperava o surgimento dos cabelos brancos, buscava sinais de que o curso cronológico da vida seguia sua trajetória:  Adaline queria envelhecer.

Pensei então que envelhecer está muito além de acumular fotografias antigas, é na verdade uma condensação de amores, momentos, escolhas e aprendizados.

Pensei que envelhecer é aceitar a impermanência mesmo com a consciência de que a eternidade é a essência.

Pensei que envelhecer é fazer as pazes com o tempo, desfrutando toda a sua  força, encanto e mistério.

Pensei que tem sorte quem sabe envelhecer.

Mas pensei sobretudo que antes de envelhecer, o segredo da vida é Ser.