Beleza, onde estás?

A correria é grande. A pressão, maior ainda. Tenho tido a sensação de que o ser humano anda no limite, à beira de um colapso. Tem se tornado cada vez mais comum encontrar pessoas com o rosto enrrugado de preocupações, semblantes enrijecidos e distantes e  consequentemente com comportamentos intolerantes.

Que a vida é uma luta todo mundo sabe. Mas ela é mais do que isso. Muito dela se encontra nos pequenos intervalos, nos segundos desapercebidos em que estamos reclamando, nos momentos que desperdiçamos. Desaprendemos a sorrir. Estamos com óculos embaçados para os milagres diários e lentes de última  geração para o trágico.

Freud dizia que quem consegue fazer piadas sobre a própria sorte “está acima do seu destino.” Não! Não estamos falando de masoquismo. Estamos falando de uma capacidade rara de perceber que mesmo no que parece à primeira vista catastrófico, pode-se extrair o positivo, o bom, o bem.

Nunca me esqueci da primeira vez que me explicaram o sentido literal da palavra ‘enfezado’ que segundo o dicionário diz respeito a uma pessoa irritada, brava, zangada, nervosa, etc.

‘Enfezado’ literalmente quer dizer “cheio de fezes”, situação que provoca enraivecimento e ira na pessoa quando esta acumula muitas fezes no organismo.

Quanta gente por aí que sofre de  acumulo de ‘fezes’ no espírito, no coração. Gente que azeda o ambiente aonde chega. Gente que só enxerga o negativo. Que só absorve o desagradável.

Mude a lente. Limpe os óculos. Evacue o coração. E experimente sorrir.
Rir daquilo que fez e se arrepende. Você é humano.
Rir do que não fez e também se arrepende. Recomeçe. Reinvente.
Rir dos tropeços ou dos delírios.
Rir de si e para si.
Aos poucos, você vai se dar conta que existem flores em meios aos pedregulhos, ternura em meio às asperezas, doçura por detrás do cítrico sabor das borrascas; verá descortinar-se a beleza diante dos olhos.
Beleza.
Descobrindo o Belo, não há mais que precisar de nada.

A beleza é a única coisa preciosa na vida. É difícil encontrá-la – mas quem consegue descobre tudo. (Charles Chaplin)

Alice Martins, Rede Sanctus